Espaço 273, o endereço criativo de Canela

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Espaço 273, o endereço criativo de Canela

Cores, sabores e amores. Memórias, arte e gastronomia. Essa mescla criativa e leve é o que caracteriza o Espaço 273, em Canela. Mas a casa que fica na Rua Tenente Manoel Corrêa seria só mais uma casa se não tivesse amor, como costuma dizer Paulo da Rosa, que ao lado da esposa Caca Peressoni e das filhas Ale e Clara concebeu o local. Muitas experiências podem ser vividas ali, basta passar pela porta de entrada para compreender isso.

Quando um lugar chama a minha atenção, procuro saber primeiro sobre as pessoas que o criaram. Como boa ouvinte que sou, persigo as histórias, quero desvendar as pessoas pelo seu melhor lado, o lado de dentro. E foi assim que aconteceu no Espaço 273, um lugar que me surpreendeu por vários motivos. O endereço abriga uma galeria de arte, um atelier, um espaço para eventos, um pátio com pista de skate, uma loja com produtos artesanais e de moda, um brechó e um bistrô. Reservei uma das tardes ensolaradas de inverno para ir conhecer esta família de artistas que presenteou a cidade com algo tão genuíno.

Arte nas veias e na alma

Fui recebida por Caca Peressoni. Decoradora, cenógrafa, produtora cultural e empresária, ela abdicou da carreira em tecnologia (sua formação é em processamento de dados) para deixar aflorar um talento que marcava a sua personalidade. A habilidade com trabalhos artísticos manuais ganhou espaço quando ela, junto com a irmã, começou a fazer decorações de casamentos, aniversários e formaturas. Em seguida descobriu que podia restaurar móveis e fazer pinturas especiais em restaurantes, atividade que desempenhou por um tempo, prestando serviço para um escritório de arquitetura. No ano 2000 trocou Porto Alegre por Canela e então surgiu a oportunidade de fazer cenários para os espetáculos da escola de balé da filha. Em 2009 veio o primeiro convite para trabalhar no Sonho de Natal de Canela, ambientando a casa do Papai Noel. Depois disso, Caca emplacou vários trabalhos envolvendo a decoração da cidade para a Páscoa e para o Natal.

Um encontro entre arte, moda e gastronomia

A casa comprada pela família teve como primeiro evento um bazar para o Dia das Mães. Depois recebeu uma exposição do Canela Foto Workshops, em 2014. O local também sediou a secretaria do evento e foi daí que surgiu o nome Espaço 273, pois esta era a referência dada às pessoas para que fossem até lá. Mas passados os eventos a casa voltava a fechar, funcionando apenas como um atelier. Era o endereço dos artistas locais, mas era sazonal. “Eu sempre gostei de arte, artesanato e de receber pessoas, isso me dá muito prazer. Não sabia qual era o caminho certo a seguir, mas sabia que precisava ir adiante”, recorda Caca, relembrando como tudo começou.
O passo seguinte foi tornar real aquilo que era um sonho. Reunir em um só local uma galeria de arte, um brechó, uma loja, um restaurante/café e um espaço de eventos e outro de share working (locação para trabalho). Tudo isso foi possível porque a casa é ampla, tem 370m², e o pátio mais 300m². Assim ambientes variados foram sendo criados de forma bem personalizada. Quem olha da calçada não imagina tudo o que tem lá!

Noon Gastrô

O primeiro ambiente abriga o restaurante Noon Gastrô, que tem 32 lugares. A lareira original da casa foi mantida e conversa com a decoração que tem uma inspiração vintage. Adorei saber que posso sentar, fazer meu pedido para o almoço, lanche da tarde ou jantar e ao mesmo tempo escolher um vinil do meu gosto para ouvir. Isso se chama personalização.

O restaurante tem uma proposta saudável, valorizando os produtos mais frescos encontrados na feira do dia. Tem também os bolos da Luci . Hummmm… só de pensar neles já sinto o cheiro do café da tarde! O Noon Gastrô abre de quartas a sábados, das 11h30 às 22h30. Para o almoço apresenta como sugestão o prato do dia de quartas a sextas, das 11h30 às 15h. Preciso falar do cardápio à la carte porque ele é cheio de delícias. Entre os lanches, minha sugestão é a torta de bacalhau (massa que derrete na boca com recheio de bacalhau). Se a ideia for um sanduíche, minha escolha é pelo de cogumelos (maionese de ervas, rúcula, tomate e confit de cogumelos). Na escolha entre os pães ficaria com o 7 grãos. Não deixe de pedir uma das entradinhas. Escolhi os palitos de legumes crocantes (bastões empanados na farinha panko e assados). Tem ainda sanduíches, sopas e cremes. As opções de saladas também são apetitosas. Provei a de frango (cubos de frango grelhado, alface americana, molho de iogurte e azeitonas pretas). Entre os pratos quentes há opções entre massas, risotos e carnes. Escolhi o entrecot Noon (tiras de entrecot grelhadas com batata doce assada caramelizada, farofa e geleia de pimenta). Na hora da sobremesa, pedi o Charlie Brownie com sorvete (massa de chocolate com nozes e chocolate preto ou branco, servido com cobertura de chocolate e sorvete de baunilha).

A hora do sino

Como nos pubs tradicionais, o bistrô tem “a hora do sino”, uma maneira divertida dos proprietários encerrarem o dia.

Valorização do trabalho autoral

Passando o restaurante está a loja e o brechó. A loja reúne roupas e acessórios de um lado e peças de artistas e artesãos da região do outro. E o que é mais incrível: a apresentação dos produtos é feita por artista. Isso mesmo, cada um tem seu espaço, pois assim se valoriza mais o trabalho autoral. Essa ideia só podia vir mesmo de quem é uma artista. No brechó é possível garimpar peças muito queridas e cheias de personalidade, pois a seleção do que colocado à venda é bem criteriosa.

O jardim

As flores enchiam de graça as mesas dispostas na varanda e também no gramado. É claro que escolhi uma delas para fazer a minha refeição ao ar livre, aproveitando o sol preguiçoso de inverno para fazer aquilo que nós gaúchos, mais gostamos: lagartear! (expressão que se refere a ficar tomando sol no inverno).
O ambiente externo ainda tem um outro diferencial, uma pista de skate para a gurizada (de todas as idades) curtir. Mais ao fundo do pátio está o atelier, que pode abrigar eventos, exposições e também funciona como um estúdio de fotos – o Espaço 273 tem produzido ensaios fotográficos temáticos que estão fazendo o maior sucesso, eu fiz um com minhas gatinhas e amei!

Sabor, arte e acolhimento

Procuramos criar espaço de convivência para que as pessoas se sintam bem a qualquer hora do dia ou da noite. “Nosso maior desejo é fazer com que a pessoa saia daqui se sentindo ainda melhor do que quando entrou”, explica Caca. A customização de cada ambiente do Espaço 273 foi feita por ela, pelo seu marido Paulo (descobri que ele é um ourives e um artesão de mão cheia!) e pelas filhas Ale e Clara. “Esperamos que ao entrar no Espaço 273 as pessoas sintam o amor que colocamos aqui”, completa Paulo. Os dois estão sempre por lá, fazendo atendimento, cuidando de cada detalhe e esperando a gente para um bate-papo gostoso.

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1 Comentário

  1. Carlos Eduardo Vaz disse:

    Tenho a honra e a felicidade de acompanhar um pouco da trajetória do Espaço 273.
    Estou com uma Exposição fotográfica lá
    Mais que um local para expor. Respira arte e alto astral.
    Um abração ao Paulinho,Claudia,Ale e Clarinha.

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