A primeira lição do Peru: respeito ao tempo

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A primeira lição do Peru: respeito ao tempo

Há pouco mais de um mês fiz uma viagem ao Peru. Foram nove dias que mudaram a minha maneira de pensar e viver em muitos aspectos. A primeira de muitas mudanças venho experimentando a cada dia e tem me feito muito bem: aprender a deixar as coisas fluírem no seu tempo. A ansiedade é algo que por vezes nos coloca em sofrimento, então perceber que o tempo do universo é mais sábio e generoso que o nosso é revelador.

#mudandoavida

A viagem surgiu como uma afirmação das mudanças que desejo pra mim. Sim, é aquele tal #mudandoavida que venho falando faz um tempo. Ela veio em um momento em que eu não pensava em viajar, pois tinha acabado de deixar meu emprego para tornar real o sonho de um negócio próprio, no qual poderia resgatar aquele que é o ofício que escolhi, estudei e pratiquei por mais de 15 anos: o de escrever.

Buena Viagem

Mas então por que viajei? Viajei porque era para fazer exatamente o que amo: escrever. Contar sobre experiências em turismo – a frase está aqui no site – bem clara para todos verem. Este é um dos pilares do Buena Viagem, então a ida ao Peru me mostrou que sim, eu estava começando com o pé direito essa história!

Turismo é sentir

Viajar em grupo não é algo comum pra mim, as viagens que faço sempre são com meu marido. Porque iria para um país diferente com pessoas que não conheço? Porque faria uma pausa no meu projeto apenas 15 dias depois dele ter sido lançado? Fiz a mala com poucas roupas e muitas dúvidas. Movida pela minha intuição, embarquei rumo a Lima com mais nove pessoas para uma viagem fora de padrão: a Royal Travel é uma agência que personaliza destinos místicos, proporcionando vivências espirituais aliadas ao turismo. Entende agora porque eu estava naquele avião que cruzou a Cordilheira dos Andes? Para viver – e depois contar aqui – que turismo é mais do que turistar. Turismo é vivenciar, é sentir.

Sobre Lima

Preciso dizer que as primeiras impressões de Lima não me encantaram. A Capital do Peru tem um ar meio triste – e cinza…. muito cinza! – primeiro porque lá pouco se vê o sol, está sempre nublado e praticamente nunca chove. Segundo, porque é uma cidade de 10 milhões de habitantes que fica no meio deserto, é árida, terrosa, estranha…. Mas calma aí, que tenho coisas lindas para falar de Lima também! O mar prateado do pacífico me encantou, ficamos dois dias em Lima, em Miraflores (área nobre e litorânea) acompanhados do guia Rodrigo, um dos primeiros presentes que recebemos do Peru. Ser educado e culto são características básicas de um guia, mas ser gentil, agradável e conectado com a espiritualidade não. Pois o Rodrigo reunia todos estes predicados, nos revelando um pouquinho do povo peruano – um povo gentil, um povo que respeita sua história e sabe receber muito bem visitantes do mundo inteiro.

Os peruanos e o futebol

E por falar em peruanos, eles estavam eufóricos com um acontecimento um tanto inusitado: naquele dia estavam disputando uma vaga com a Colombia para ir para a próxima Copa do Mundo. Os peruanos são completamente loucos por futebol (mesmo o futebol deles não sendo lá essas coisas…). Lima simplesmente parou naquela tarde, as ruas estavam tomadas por torcedores devidamente fardados com a camiseta da seleção, contando as horas para o jogo. Até nosso guia, o Rodrigo, trabalhou “a caráter” aquele dia!

Pachacamac

Mas antes desse jogo (pra quem não sabe, o Peru ganhou!), visitamos o primeiro dos lugares incríveis do Peru. O Museu Pachacamac resgata um local sagrado onde aconteciam sucessivas cerimônias pré-hispânicas, entre elas, mais de mil enterramentos. O local tinha palácios, praças e templos que vem sendo redescobertos contando a história pré-Inca. A visita as ruínas construídas por volta de 200 a.C. e ao Templo do Sol impactam profundamente. Quem quiser saber mais sobre o museu e sua arquitetura contemporânea pode conferir aqui. Só para se ter uma ideia, em 1929, Pachacamac – que quer dizer “senhor dos milagres” – foi declarado patrimônio arqueológico nacional, tamanha a importância do que vem sendo descoberto no local, graças a um trabalho arqueológico minucioso.

BiciTour

Uma das coisas bacanas que fiz questão de registrar é o BiciTour. O turista pode optar por uma forma diferente de conhecer o santuário de Pachacamac: de bicicleta. Até aí é algo normal. Mas o circuito do BiciTour é conduzido por jovens moradores das comunidades que vivem no entorno do museo. O projeto busca vincular o patrimônio arqueológico com a população vizinha, oferecendo um novo valor social, cultural e econômico, sendo apoiado pela National Geographic e a Sustainable Preservation Initiative, duas organizações interessadas na difusão e conservação do patrimônio. Está aí um belo exemplo a ser seguido.

Sol

Por conta do jogo da seleção peruana terminamos a programação do primeiro dia antes do planejado. Mas como escrevi no título dessa matéria – respeito ao tempo – essa foi a primeira lição que tirei do Peru. Se o dia foi encurtado por conta de um jogo de futebol que fez o trânsito da cidade enlouquecer e parar, a natureza tratou logo de compensar e nos presenteou com algo raríssimo. O sol se pôs sobre mama cocha (mar) com num prenúncio de que este tinha sido somente o primeiro de muitos dias incríveis que viveríamos por lá.

#graciasperu

PS: Esta é a primeira de uma série de matérias que serão publicadas aqui. Convido você leitor a fazer esta viagem comigo!

FOTOS: Adriana Silveira

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