Uma pirâmide no meio da cidade? Sim, em Lima tem!

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Uma pirâmide no meio da cidade? Sim, em Lima tem!

Esta é a segunda matéria da série sobre o Peru que fiz com a Royal Travel. Foram nove dias intensos vividos por lá que eu estou dividindo com os leitores aos poucos. O segundo dia de viagem ainda foi na Capital, Lima. Quanto aprendizado. Um deles foi o de refletir sobre a morte para procurar compreender sobre a vida. E isso não tem nada a ver com crença ou religião. Tem a ver com história, cultura, respeito. E no Peru a gente pensa muito sobre isso. Ainda mais quando se está andando no meio da cidade e de repente a gente se depara com uma pirâmide!

Miraflores e o mar

Começamos nosso city tour retornando a beira mar (o que aconteceu no primeiro dia eu contei aqui), no Parque Almirante Miguel Grau, no charmoso bairro de Miraflores. Essa área é linda e com uma geografia muito dramática, algo que realmente impressiona: gigantescas pedras separam a cidade do mar. Resumindo: tem a beira-mar de cima e a beira-mar de baixo, dois ângulos maravilhosos para apreciar o pacífico prateado do Peru. Poucos corajosos encaram o mar, que é gelado (no inverno fica em torno dos 11 graus e no verão em torno dos 15). Também não tem areia, só pedras (estamos no deserto, lembra que contei isso no capítulo anterior?).

Conexão

O Parque Almirante Miguel Grau é lindo, muito limpo e preservado. Turistas e locais curtem a vista do mar das mais variadas maneiras: caminhando, correndo, andando de bicicleta, patins, sentado na grama… Foi neste cenário que realizamos nosso primeiro momento de conexão espiritual em grupo, através do Reiki. Ficamos surpresos – e felizes! – quando explicamos ao guia Rodrigo que faríamos essa prática e ele imediatamente perguntou se podia participar. Ele disse que sentiu a energia do grupo e que estava conectado a ela. Foi um momento lindo e especial para todos. Sentindo o vento no rosto, escutando o barulho do mar, pedimos permissão a Pachamama para conhecê-la, compreendê-la e respeitá-la. Nossa viagem tinha este propósito de compreensão, de aceitação e de evolução espiritual. E então, muitos desdobramentos aconteceram a partir daquele momento e nossa viagem ganhou outra dimensão.

As oliveiras centenárias de Lima

Partimos para o centro histórico para conhecermos um complexo que envolve a Praça San Martin, a Praça das Armas, o Palácio de Governo, a Basílica e Convento São Francisco. No caminho passamos por San Isidro, bairro residencial nobre e repleto de praças lindas. A principal delas é a El Olivar, conhecida pelas centenárias oliveiras de 400 anos, simplesmente incríveis!

Praça San Martin

A Praça San Martin foi construída para celebrar o centenário de independência peruana e presta uma homenagem ao libertador do Peru, José de San Martin. Com seus robustos canteiros floridos, atrai centenas de turistas que vão até lá para fotografar o obelisco que homenageia San Martin. Em seu entorno estão muitos outros prédios históricos, como o Grande Hotel Bolívar e o Teatro Colón.

Praça das Armas

O complexo da Praça das Armas é imponente. Os prédios na cor amarelo-alaranjado chamam a atenção por sua arquitetura colonial, emoldurados por jardins cuidados com capricho. Francisco Pizarro fundou a cidade de Lima ali, então este é um lugar muito importante e por isso muito preservado pelos peruanos. O centro histórico engloba ainda o Palácio do Governo, o Palácio Episcopal, a Catedral e o Clube Naval União.

Catacumbas no Convento de São Francisco

Outra visita surpreendente aconteceu na Basílica e Convento São Francisco, declarado Patrimônio Mundial da Unesco. Centenas de pompas disputam espaço com os turistas na praça, local sempre muito fotografado devido a impactante arquitetura do período colonial. Já na parte interior do complexo, as lembranças ficam apenas na memória, pois é proibido fazer fotos. A visita ao convento trouxe uma mistura de sensações. Num primeiro momento, a contemplação das obras de arte espalhadas por todos os ambientes, do chão, passando pelas paredes com azulejos sevilhanos até o teto, com pinturas magníficas. No claustro existe uma série de 39 telas representando cenas da vida de São Francisco. No refeitório 15 grandes pinturas mostram os apóstolos, Jesus, Maria e São Paulo, obras de Francisco de Zurbarám, além de um imenso quadro retratando a Última Ceia (o registro mais impactante que já vi dessa cena, eles parecem estar vivos na pintura!!) do padre jesuíta Diego de la Puente.  O mobiliário, as estátuas, os quadros e as pratarias utilizadas nos rituais religiosos vão revelando a história. Num segundo momento, descemos até as catacumbas subterrâneas. O lugar é de dar arrepios. Os turistas se encolhem pelos túneis subterrâneos atônitos, pois os guias falam o tempo inteiro. Falta ar e é muito quente lá embaixo. E a visão de milhares de ossadas (crânios, fêmures e tíbias) é algo assustador. Nosso guia, o Rodrigo, soube conduzir com o maior carinho esse momento tenso para nós, explicando que sepultar as pessoas no subsolo das igrejas era algo comum, já que não havia cemitérios, então, acreditava-se que depositando os corpos ali eles estariam abrigados e iriam diretamente para o céu. A experiência provocou sensações diversas em nosso grupo. Algumas pessoas ficaram mais introspectivas, outras sentiram até fisicamente essa conexão, recolhendo-se a meditação.

Huaca Pucllana

Uma pirâmide de argila construída entre os anos 200 a 700 d.C., em meio à cidade de Lima. Olhei para os modernos prédios ao redor e fiquei pensando como deve abrir a janela e enxergar a história bem ali, na sua frente! Estou falando do incrível sítio arqueológico de Huaca Pucllana. Na imensa pirâmide que vem sendo redescoberta e restaurada há mais de 30 anos, havia um centro de rituais da antiga cultura limenha. O museu foi inaugurado em 1984, buscando preservar e dar continuidade a todo o trabalho de investigação arqueológica, a recuperação de materiais procedentes das escavações, e também de aproximar a comunidade através de um circuito de visitas, para que pudessem compreender e valorizar o local, deixando de trata-lo apenas como um monte de terra e pedras no meio da cidade. Em 1987 Huaca Pucllana foi declarada zona arqueológica intangível e em 1989 o museu foi reconhecido como entidade cultural integrante do Sistema Nacional de Museus. Doze anos depois, Huaca Pucllana foi declarada Patrimônio Cultural da Nação.

Que exemplo!

Em 1988 o museu criou uma oficina de arqueologia para crianças, uma proposta para despertar nas crianças o respeito e a identificação com o passado, compreendendo a importância do trabalho arqueológico. Este é um belo exemplo de como a educação é a base para formar pessoas melhores e o Peru sabe disso. Tem como não se apaixonar por um país assim?

Fotos Divulgação

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